Nada fere tanto como a palavra. Ela é a lâmina que corta sem sangrar, que fere sem deixar marca. O seu talho é seco e fundo. É cirúrgico. É tenaz. A palavra, mais que o silêncio ou a indiferença, atordoa os sentidos e embriaga a alma de fel. Ela penetra a pele como ácido. Ela é o abutre que come a carne viva. Por isso jamais diga além do necessário, e saiba sempre que o dito não volta. É vento. A palavra sufoca como o ar ressequido. E tudo o que toca... tudo o que toca vira lágrima.

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