sábado, 9 de maio de 2009

"Tenta sim. Vai ficar lindo."


Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, merender à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram quemeu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Euimaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trásnisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética. - Oi, queria marcar depilação com a Penélope.




- Vai depilar o quê? - Virilha
- Normal ou cavada?Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada

Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.

- Amanhã, às... deixa eu ver...13h?

- Ok. Marcado.


Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves,porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim,pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona.Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até olocal onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, váriascortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas.Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nossocantinho: uma maca, cercada de cortinas.


- Querida, pode deitar.


Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada decalcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou defrente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vicoisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com umbarbante na mão. Fingi que era natural sabia o que ela faria comaquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.


- Quer bem cavada?- ...é... é, isso.


Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa daAbigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.


- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doermais ainda.


- Ah, sim, claro.Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Masconfiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).


- Pode abrir as pernas.


- Assim?- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depoisjoga cada perna pra um lado.


- Arreganhada, né?Ela riu.


Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável.

Até a hora de puxar.


Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivessesaído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Atéprocurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade deligar para o hospital. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural. Penélope perguntouse estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido derespirar. Tinha medo de que doesse mais.


- Tudo ótimo. E você? Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha".


Mas deveter aprendido a ser simpática para manter clientes.


O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilaçãoe imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazersofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.


- Quer que tire dos lábios?

- Não, eu quero só virilha, bigode não.

- Não, querida, os lábios dela aqui ó.Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, queidéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se foder mesmo.

-Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.


Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade ocafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.

- Olha, tá ficando linda essa depilação.

- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.


Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com arespiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Sóvoltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.


- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?

- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãearrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida.


E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.


- Vamos ficar de lado agora?- Hein?

- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope.

Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.

- Segura sua bunda aqui?- Hein?

- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.Tive vontade de chorar.

Eu não podia ver o que Pê via.



Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê.

Quantos haviam visto, àluz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista.

Quis chorar,gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo.

O marido perguntaria:- Tudo bem, Pê?

- Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.


Mas de repente fui novamente trazida para a realidade.


Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu tuin peaks. Não sabiase ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Seique ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aíme veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida dedesfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesseali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.


- Vira agora do outro lado.Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segureinovamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre cortina.

- Penélope, empresta um chumaço de algodão?Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dordemais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido.


Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquelejeito. Só mesmo Penélope. E agora, a vizinha inconveniente.


- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.

- Máquina de quê?!

- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.

- Dói?- Dói nada.

-Tá, passa essa merda...

- Baixa a calcinha, por favor.Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foisubstituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu.


O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.


- Prontinha. Posso passar um talco?

- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.

- Tá linda! Pode namorar muito agora.


Namorar?! Namorar?! Eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais.Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda,protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Queria comprar o domínio.



beijinhos minhas queridas amigassss lol....



1 comentário:

PAULA disse...

“Na infinidade da vida onde me encontro
tudo é perfeito, pleno e completo,
e no entanto a vida muda constantemente.
Não há principio nem fim,
Apenas um ciclo e um reciclar constantes
de substâncias e de experiências.
A vida nunca é paralisante, estática ou desinteressante,
porque cada momento que passa é novo e fresco.
Eu sou um só com o próprio poder que me criou e esse poder
concedeu-me o poder para eu criar as
próprias circunstâncias.
Eu alegro-me por saber que tenho o poder
da minha própria mente para usar da forma que bem entender.
Cada momento da vida é um novo ponto de partida
À medida que nos afastamos daquilo que é velho.
este momento é para mim aqui e agora,
Um novo ponto de partida
Tudo está bem no meu mundo”

“Quando percebemos que estamos desvanecendo, fechamos os olhos e os nossos amigos são a nossa energia”

Obrigado pelo apoio, carinho e energia que me têm transmitido,

um grande beijinho amo-te mana